Cozy Grove

Cozy Grove é um “simulador de vida” que parece um cruzamento entre Animal Crossing e Onde Está o Wally?. Aqui irá assumir o controlo de Scout, que ficou encalhado numa ilha onde vivem umas criaturas amigáveis estilo urso. É um jogo reconfortante, com um estilo de arte encantador, e que utiliza as cores de forma inteligente. Sofre, contudo, de um ciclo de jogabilidade repetitivo, que não conseguiu apresentar atividades únicas suficientes para manter o nosso interesse.

Antes de irmos mais longe, convém esclarecer que jogámos a versão Switch, e que esta versão em específico apresentar um desempenho muito pobre. Existem quebras constantes de fluidez, com o jogo inclusive a parar em certos momentos. Considerando que à primeira vista não parece ser um jogo que utilize muitas técnicas visuais avançadas, acreditamos que será sobretudo um problema de otimização. Quanto às outras plataformas, infelizmente não conseguimos comentar.

Depois de criar a sua personagem, terá acesso ao mundo de jogo, mas prepara-se para um arranque lento. Uma grande percentagem das missões envolvem ir buscar um item ou algo parecido e trazê-lo de volta, já que cada um dos “ursos” perdeu algo e pede ao jogador para o encontrar. Isto pode ser um livro perdido, três peixes raros, uma cenoura… enfim, vários itens diferentes, mas quase sempre seguindo a mesma fórmula. Infelizmente não são tarefas muito interessantes, e o facto de serem muito semelhantes, acabaram por nos causar alguma fadiga. Dito isto, se gosta de uma rotina agradável para sessões de jogo curtas (15-20 minutos), então é perfeito para isso.

Antes que diga, “Bem, Animal Crossing: New Horizons também é assim!”, permita-nos acrescentar que falta algo aqui. A ilha não se torna realmente sua, as personagens (os ursos) são estáticos, e o jogo não tem o mesmo grau de profundidade e possibilidades que o jogo da Nintendo. O facto de não ser verem grandes mudanças no mundo de jogo, é outro factor que nos desiludiu um pouco.

Outro problema que temos com o jogo são os itens colecionáveis ​​sem vida. Existem centenas, mas nenhum parece único (exceto talvez alguns peixes mais raros), e o processo de depositá-los no depósito do museu do jogo é um pesadelo. Só pode depositar um de cada vez, e depois é preciso reiniciar todo o diálogo, o que estende artificialmente o tempo do jogo. É extremamente aborrecido. Os itens posicionáveis, no entanto, são divertidos e decorativos, espalhados por categorias como móveis e vasos de plantas, mas não têm nenhum elemento interativo.

O estilo de arte de Cosy Grove é o grande destaque do jogo. É um estilo desenhado à mão, que nos lembra de Don’t Starve e a sua perspetiva isométrica, mas sem o tom gótico desse jogo. Quando os lugares ficam coloridos depois de cumprir uma missão, o contraste com o preto e branco é impressionante, e ‘pintar’ a ilha, colocando lâmpadas para estender a luz, por exemplo, tem um excelente efeito. Infelizmente estes efeitos também atrapalham a fluidez de jogo, embora não o suficiente para impactarem muito a jogabilidade. O design de som também é ótimo, ajudando a fortalecer a sensação acolhedora.

No geral, vale a pena jogar Cosy Grove. É uma alternativa razoável a Animal Crossing, desde que mantenha as expetativas ao nível que merece – as de um jogo de € 14,99. Apesar disso, o seu estilo de arte e uso criativo de cores podem ser suficientes para mantê-lo por perto, ainda que o ciclo de jogo repetitivo se tenha tornado tedioso demais para o nosso gosto.

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