Alex Kidd in Miracle World DX

As origens de Alex Kidd enquanto mascote da Sega, estende-se quase tão longe quanto o de Mario na Nintendo, mas o legado de Alex Kidd é muito mais trágico. No final dos anos 80, Alex Kidd estaja projetado para ser a mascote da Sega, mas o seu trajeto foi interrompido devido a expectativas frustradas, o que levou a que um certo ouriço azul entrasse em cena e roubasse o lugar. Após o spin-off de Alex Kidd em Shinobi World de 1990, a personagem não voltou a ser vista durante três décadas. Foi só em 2020 que ficámos a saber do seu regresso, pela mão da Jankenteam, num jogo que serve como remake do jogo original, Alex Kidd em Miracle World.

Como um jogo de plataforma, Miracle World é muito comparável em estilo ao original Super Mario Bros., o que não é surpreendente, considerando que estava em competição direta com ele na época. Os níveis aqui, embora às vezes mudem para um estilo mais vertical, são bastante lineares e o objetivo é chegar a um item alimentar colocado no final (um claro substituto para o mastro em Mario). É um estilo de plataformas que exige uma precisão quase perfeita e Alex pode facilmente cair num um poço de espinhos se errar o cálculo do salto. Ter que pular de uma plataforma estreita para a próxima era muitas vezes dolorosamente intenso, já que nunca perdemos o medo persistente de errar.

Estes níveis também contêm muitas caixas que Alex pode partir com os seus punhos enormes, mas o seu conteúdo nem sempre é vantajoso. Ocasionalmente encontrará caixas marcadas com um ponto de interrogação, que o podem ajudar, fornecendo-lhe outra vida, mas também podem ser fatais. Ocasionalmente, uma figura encapuzada emergirá delas e continuará a persegui-lo até que esteja morto. Existe um claro fator de risco/recompensa em jogo. Também pode encontrar sacos de dinheiro espalhados por toda parte, que podem ser usados ​​para comprar itens e veículos temporários em lojas posicionadas no início de cada nível.

Em vez de atirar bolas de fogo ou esborrachar a cabeça dos inimigos, Alex usa os punhos como método principal de ataque. No entanto, isso só pode ser feito de perto, o que levanta um grande risco de Alex ser atingido e morrer com um só golpe.. Perdemos a conta a quantas vezes fomos mortos por nos aproximarmos demasiado de um inimigo. O melhor mesmo é evitar o combate se for possível. Contudo, se encontrar itens úteis como um anel que atira projéteis, será mais fácil lidar com os oponentes.

A jogabilidade base é essencialmente a mesma que a do original, mas o grafismo e a banda sonora receberam uma revisão completa, com excelente resultado. Os níveis que antes eram caracterizados por fundos azuis estáticos foram ressuscitados com uma nova estética de desenho animado, e os ambientes e designs de inimigos foram retrabalhados para apresentarem maior sentido de personalidade. Como noutros remakes do género, também existe a opção para alternar rapidamente entre os visuais clássico e moderno, e é impressionante verificar as diferenças.

Além dos melhoramentos visuais e sonoros, também existe um punhado de modos extra, disponíveis depois de terminar o modo principal. Há um modo Boss Rush, que o desafia a enfrentar cada um dos bosses do jogo, e também existe um modo clássico que permite jogar Alex Kidd in Miracle World tal como ele o era originalmente em 1986. Uma opção divertida também permite mudar a “dieta” de Alex, o que altera os alimentos que o protagonista consome no fim de cada nível.

Mas… ser um remake fiel ao original também tem suas desvantagens, já que Miracle World DX parece brutalmente difícil em comparação com outros jogos de plataforma contemporâneos. Alex morre com extrema facilidade, e quando se perde o jogo ao fim de três vidas… bem, já não estamos habituados a estas coisas. Existe um modo de vidas infinitas, mas de certa forma também nos parece um pouco como batota. De referir ainda que estamos a falar de um jogo bastante curto em termos de conteúdo, com uma duração abaixo das três horas numa sessão normal.

Alex Kidd em Miracle World DX é um remake que acrescenta excelente novo grafismo, melhora a banda sonora, e apresenta novos modos de jogo. Contudo, é uma faca de dois gumes. Os fãs puristas vão certamente apreciar o facto de se ter mantido tão próximo do original, mas a dificuldade excessiva e a longevidade reduzida, são elementos que podiam ter sido mexidos e melhorados. Dependendo do que acha desse facto, cabe a si decidir se este remake é para si, ou não.

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