No More Heroes 3

Permita-nos abordar desde já aquele que é, na nossa opinião, o ponto mais controverso de No More Heroes. Esta sequela inclui a combinação de combate satisfatório, situações insanas, estilo arcade, arte variada, e personagens excêntricas, que os fãs se habituaram a esperar da série, mas a forma como está estruturado implica que irá lutar através de níveis lineares, mas antes pelo mundo aberto de Santa Destroy. Aqui irá encontrar um grupo de atividades e minijogos, enquanto os combates surgem principalmente na forma de desafios ou lutas diretas com bosses. Durante as primeiras cinco horas de jogo estávamos indecisos sobre se esta decisão de design tinha sido positiva ou negativa, mas para respondermos a essa questão temos primeiro de avaliar a diversão dos outros aspetos do jogo.

Com No More Heroes 3, Suda51 e a Grasshopper Manufacture prestam uma homenagem aos dois primeiros jogos, e também foram buscar algumas anotações ao ‘spin-off’ Travis Strikes Again: No More Heroes. O jogo mostra a sua personalidade desde início, com o tipo de sequências, introduções, e até mesmo seções direcionadas pelo jogador, que normalmente não encontra em nenhuma outra série. Consegue ser divertido pela forma única como apresenta o seu amor por jogos retro, animé, e até o seu próprio legado.

Antes de abordarmos o combate, permita-nos elogiar o uso da arte e de efeitos gráficos de No More Heroes 3. A nível técnico, não impressiona – pelo contrário -, mas em termos de inspiração está num nível só seu. Desde o surgimento de créditos de um filme, a filtros VHS, passando por menos dos primeiros Windows, a vários efeitos pixel art, é difícil não admirar o trabalho altamente criativo do estúdio. Se bem que, tecnicamente, apresente reduções bruscas de fluidez.

Quanto ao combate, é uma versão refinada dos sistemas anteriores, e como tal, bastante bom. Mesmo que inicialmente tenhamos sentido falta das opções de “postura alta/ baixa”, o sistema de combate permite uma jogabilidade variada e poderosa. Pode jogar com os controlos de movimento ou com controlos tradicionais, e ambos funcionam bem, permitindo golpes entusiasmantes com a espada de luz que resultam normalmente num mar de sangue pixelizado. Como é costume, trata-se sobretudo de ma questão de cronometrar os combos, evitar ataques no momento certo, e usar recursos de forma ponderada, como a bateria da espada e sushi. No entanto, há um pouco de progressão e estratégia mais virada para o género RPG, permitindo melhorar os diferentes atributos de Travis e personalizar as suas vantagens por meio das fichas Death Glove, que pode criar com os recursos reunidos.

Tudo isto contribui para um sistema de combate intenso, onde irá encontrar alguns oponentes que colocarão à prova as suas capacidades. Pode ainda conta com golpes finais espetaculares e o “Henshin!”, que preenche Travis com uma nova armadura estilo Mech. Pelo meio irá encontrar várias situações atípicas para variar a ação, que se assemelham a mini-jogos arcade. Os bosses são o ponto alto do combate, com design altamente inspirado, onde se incluem puzzles e mudanças loucas do ângulo de câmara, mas nesse aspeto falta maior investimento na história e no acesso a esses mesmos bosses.

É que para combater esses bosses vai precisar de participar em “Combates Designados” primeiro, e alguns deles são sérios desafios com inimigos de design criativo, ou até cumprir “Missões de Defesa” contra vagas de oponentes de menor capacidade, mas isto levanta vários problemas. Para começar, estes eventos tornam-se rapidamente repetitivos, e depois, estão em pontos separados do mapa. Ou seja, é uma estrutura que o irá obrigar a passear desnecessariamente, para depois participar num evento de boss isolado. Preferíamos um design mais linear e contínuo.

Pelo mundo de jogo também pode encontrar vários mini-jogos, de qualidade oscilante. Enquanto que alguns são divertidos, como apanhar lixo ou lutar contra crocodilos, outros são frustrantes ou simplesmente aborrecidos. O que nos leva ao próprio mundo aberto de Santa Destroy. É um mundo vazio, despido de vida, com gráficos muito fracos e uma fluidez de jogo atroz. Existem colecionáveis espalhados pelo mundo, e ‘ilhas’ temáticas hilariantes (adorámos a referência a Call of Duty, por exemplo), mas não é divertido explorar Santa Destoy. O jogo em nada beneficia de ter uma estrutura em mundo aberto.

Por fim, há que destacar a maluquice e a excentricidade do guião, da história, e das personagens. Talvez não seja tão brilhante como o primeiro jogo, mas continua a ter momentos altamente divertidos e inspirados, com conversas loucas, muitas referências, e até algumas surpresas para fãs da série. No More Heroes 3 é um jogo que oscila entre algumas coisas fantásticas e outras medíocres. Isso, aliado ao facto de ser uma experiência tão peculiar e bizarra, impede-nos de o recomendar a todos os jogadores. Contudo, se é fã da saga, e mesmo considerando os problemas, então No More Heroes 3 é um “must-have”.

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