
A empresa também promove torneios de fomentação de um competitivo mais diverso, como a Taça das Favelas e a Taça da Patroa — a segunda, realizada em parceria com a Anitta. Durante a coletiva de imprensa com a cantora, ela comentou que sua intenção com o torneio é promover a presença e o respeito às mulheres.
“Acho que não só nos jogos online, mas nos jogos em geral, sempre existe muito preconceito, falta de espaço e de respeito em relação às mulheres que querem estar em coisas que sei lá quem definiu que são ‘de homem.’ Como no futebol e no esporte, os jogos online passam por essa mesma situação. (…) Para mim, [a Taça das Patroas] tem a ideia de estimular e mostrar que as mulheres arrasam muito jogando. E também, para mim, esse é o novo entretenimento — o mundo gamer, dos jogos online. Por isso, nada mais justo do que dar a devida relevância e o devido espaço.”
Mesmo no contexto apresentado, a desenvolvedora e as organizações do cenário deixam a desejar em relação a movimentos de inclusão mais afirmativos, de forma a fornecer condições parelhas para os competidores no ambiente em que Free Fire está inserido.
Um caso que demonstra a barreira estrutural ainda existente no cenário competitivo do battle royale aconteceu em Manaus, no início de 2021. Durante a disputa no Grupo de Acesso da série A da LBFF, a equipe AmazonCripz foi prejudicada após ficar sem acesso à internet. Assim, os competidores foram forçados a disputar o restante das partidas dentro de um carro usando o 4G de seus celulares e, não surpreendentemente, não conseguiram a classificação.
“A Garena não abraçou como poderia abraçar o fato de esse ser realmente um jogo de inclusão, um game que procura romper barreiras sociais”, critica o consultor. “Seria essa uma obrigação da Garena e das marcas que estão nesse circuito? É o famoso sim e não. Por ser um jogo que assumidamente está trazendo uma galera marginalizada, acho importante ter essa atenção, porque é uma galera que entra no cenário de esports e o cenário não está pronto para ela.”
Enquanto, por um lado, o mercado decepciona ao não investir em real inclusão digital, a mudança tem sido promovida pelos próprios craques do jogo. É o caso de Nobru e Cerol, que, à frente do Fluxo, fizeram o investimento social ao instaurar seu próprio instituto que promove apoio à comunidade periférica.
“Os games superaram as barreiras de qualquer preconceito e hoje são capazes de transformar vidas, gerando novas possibilidades de carreiras”, destaca Nobru. “Essa inclusão é extremamente importante, pois, dessa forma, os jovens entendem que podem ter mais uma chance de seguir uma carreira promissora em algo que faça sentido para eles. Aconteceu comigo, e fico muito feliz em poder servir de exemplo para que cada vez mais pessoas possam seguir em busca de seus sonhos.”