Kena: Bridge of Spirits

Kena: Bridge of Spirits foi um dos destaques da apresentação da PlayStation 5, há sensivelmente ano e meio, e estava previsto ser um dos grandes jogos de lançamento. Contudo, o Covid acabou por atrapalhar os planos, e Kena: Bridge of Spirits só agora chegou às consolas PlayStation e ao PC. Como se previa, é um luxo gráfico na PS5 e no PC (a versão PS4 também está bastante boa), e no geral é uma aventura de qualidade, ainda que tenha alguns defeitos vincados.

Como o título sugere, Kena é a protagonista desta história, uma jovem que ajuda os mortos a resolverem questões pendentes antes de seguirem para a vida pós-morte. No início da aventura encontra uma aldeia nas profundezas de uma floresta, uma aldeia aparentemente abandonada, mas que não o está realmente. Aqui habituam alguns espíritos que não conseguem seguir em frente, e terá de ser Kena a ajudá-los, enfrentando um mundo cinzento e degradado com o apoio do seu cajado mágico, repondo a ordem e a beleza natural. É uma narrativa simples, que raramente surpreende, mas é adequada a um jogo que se aponta a crianças e a adultos.

Embora a história seja razoável, existem elementos de que não gostámos, como o facto das sequências cinemáticas funcionarem a 24 frames por segundo. Se a diferença de 30 para 24 já é visível, será realmente estranha se estiver a jogar a 60 frames por segundo. Compreendemos a decisão dos 24 frames, que é o formato usado pela maioria dos filmes e das séries de televisão, mas não combina bem com o resto do jogo. Também não gostámos do desempenho dos atores, com pouca emoção e intensidade.

Quanto ao sistema de combate, lembrou-nos um pouco de Star Wars Jedi: Fallen Order, permitindo executar golpes leves ou fortes, bloquear ataques, e rebolar para fora de perigo. Eventualmente irá aprender habilidades adicionais, como a capacidade para transformar o bastão num arco. As batalhas são fáceis e desapontantes ao início, com falta de feedback claro nas golpes. Em parte isso deve-se a efeitos sonoros menos pojantes do que é habitual, mas também às animações. Parece-nos evidente que a Ember Lab ainda não domina totalmente esta área, o que é normal, já que é o seu primeiro jogo. Existem alguns inimigos poderosos, mas ao contrário do que vimos escrito em alguns sítios da internet, nunca achámos o combate de Kena realmente desafiante, mesmo em dificuldades elevadas.

Kena: Bridge of Spirits também mostra que precisava de mais algum tempo para que fossem limados alguns bugs, embora o jogo esteja a ser atualizado com frequência, e a Ember Labs já tinha prometido continuar a apoiar o jogo durante vários meses, inclusive com conteúdo novo.

Além dos gráficos fantásticos, o que realmente apreciámos em Kena foi a exploração. O mundo de jogo é lindo, e tem um bom design do mapa, que nos motivou a procurar cada canto, a passar cada elemento de plataformas, e a resolver todos os puzzles que vimos. Ainda para mais considerando que existem itens desbloqueáveis, tesouros, e espíritos que precisam de ajuda. E chapéus, que pode equipar nos adoráveis Rot, as criaturas pretas que acompanham e ajudam Kena.

Kena: Bridge of Spirits parece ir buscar inspiração a vários títulos da Nintendo, como The Legend of Zelda e Pikmin (embora seja menos como Pikmin do que os pequenos Rot possam sugerir). É verdade que ficámos algo desiludidos com o sistema de combate, e que o desempenho dos atores deixa a desejar, mas divertimo-nos com esta aventura de Kena. Não corresponde bem ao nível de expetativas que foram colocadas em cima do jogo depois daquela impressionante primeira amostra durante a apresentação da PlayStation 5, mas é uma boa opção para quem gosta de jogos de ação e aventura. E já dissemos que só custa € 39,99?

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